eu queria correr…

abril 4, 2012

acordei cansada, os olhos insistiam em fechar e a dor de cabeça era inevitável. Por pelo menos um segundo quis desaparecer, morrer.
a morte já não me parecia algo temível, era a viso de um alivio diário, uma esperança.
eu queria desistir e dormir mais um pouco, estou exausta e doente.
Hoje o dia passou corrido, mal tive tempo de colocar em linhas tortas as desventuras da realidade (não sei porque ainda insisto em escrever. minha letra é ilegível e minha literatura um lixo). A realidade é ridícula, me distraio buscando respostas em cigarros e café. preciso perder 10 kilos.
A realidade anda conturbada como as águas de oceanos nunca explorados, me arrastando pelos cabelos nesse dia a dia que eu tanto odeio, ah, se eu pudesse apenas sair daqui….
Fui ao banheiro em busca de um apoio no espelho. POR DEUS! estou um traste. A falta de cor nos meus olhos é assustadora e fria, ainda mais evidente quando em contraste com as olheiras roxas que contornam meus olhos. acho que preciso dormir.
na ausência da vida me contentor com a inércia diária. deixo os dedos apertarem as têmporas tentando, sem nenhum sucesso, acabar com a dor.

mas foi em um dia de quase sol que o conheci.
e quando eu menos esperava já nao podia tirá-lo da minha mente.

e eu tentei!

fiz de tudo para afasta-lo de mim.
a idéia do sentir estava me matando e eu tentava fugir, procurava pequenas saídas e nenhuma funcionava.
eu sempre fui aquela que finge melhor e que grita mais alto.
mas não com ele.
ele grita mais alto, grita com os olhos.
ele gritou: vem. e eu fui.
fui de olhos vendados, sem saber qual era o caminho, sem saber se existia um caminho.
EU FUI, CARA!

eu quis correr, mas fui dando pequenos passos. eu quis correr, mas não corri.
eu quis correr para seus braços e me atirar no precipício mas o medo me fez andar.
controlei meu maior instinto, a alma gritava: VAI
e seus olhos me puxavam,
AH, EU QUASE CORRI.
eu queria pular e gritar mais alto.
eu não gritei.

você continuava a me trazer para mais perto, me empurrar para o precipício.
e eu me debatia na cama, podia sentir seu calor correndo pelos meus dedos, ouvir sua voz. buscava a superfície desesperadamente. Eu arranhava as paredes, rabiscava palavras,eu já não te tirava da cabeça.
as noites, todas elas ganharam um novo porque. ficava tentando entender você, eu, nós.
nós?

já não podia mais mentir, eu queria correr.
esse andar já me sufocava,
eu precisava correr.
e suas mãos estavam estendidas, como quem diz: eu vou te segurar, vem.

e eu fui!
corri,
pulei.
eu falei, eu te amo.
eu te amo, cara!
e você me segurou.

te encontrei, guri. e o poeta já sabia: o amor é importante porra.
eu te amo.

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